II Mostra Melhores do Ano (2 anos de APJCC)

8 12 2009

A Associação Paraense de Jovens Críticos de Cinema completa 2 anos, e uma tradição começa a se ensaiar. Dando seguimento ao que aconteceu na comemoração do primeiro aniversário, a Associação promoverá a II Mostra Melhores do Ano. O local, mais uma vez, será o Cine Líbero Luxardo, a entrada (e a conversa), como sempre, serão francas.

Existe apenas uma diferença: no ano passado, foram vistos os melhores filmes do ano exibidos no âmbito das ações da APJCC. Agora, no ano de 2009, graças  à equipe do Cine Líbero Luxardo, além da reexibição e rediscussão das melhores sessões do Cineclube Aliança Francesa, Cine CCBEU, Sessão Maldita e Inovacine, será exibido, discutido e aplaudido (em película) o que foi considerado, unânime, pela APJCC, como o filme do ano de 2009: Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino.

Já são 2 anos, centenas de filmes e muita falação. 2009 foi um ano rico de ações e discussões cineclubistas para Belém. Também rico de incompreensões e decepções. 2010 se anuncia… tudo de novo, diferente.

Mateus Moura

(APJCC 2009)

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Programação

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10/12 (quinta) – Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino

(excepcionalmente às 15h00)

Era uma vez em uma frança ocupada pelos nazistas a jovem shoshanna, ultima sobrevivente de uma familia judia, procura vingança. Enquanto isso o tenente Aldo”the apache” Raine comanda os bastardos: 8soldados-judeus-americanos, dispostos a fazer apenas… Matar nazistas!

Max Andreone

(APJCC – 2009)

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11/12 (sexta) – “Cidadão Kane”, de Orson Welles

Cidadão Kane, para os cinéfilos franceses – entre eles: François Truffaut – representou, enquanto experiência de descoberta coletiva, a volta às salas de cinema, na Europa finalmente liberada do nazifascismo.

Foi a libertação do cativeiro da censura, o sopro de genialidade que despertou os olhos empoeirados de mesmice e os ouvidos fatigados de zumbidos de guerra. O sopro genial na verdade era um vendaval, que vinha além-mar, na voz e na imagem de um herói diferente.

Mais célebre que a crítica desfavorável do filósofo das palavras Jean-Paul Sartre foi a resposta do filósofo das imagens André Bazin ao – segundo ele – estrabismo cinematográfico do conterrâneo. A defesa do crítico francês elevou Orson Welles a um patamar até então inesperado, e a crítica, historicamente, foi uma das mais importantes do cinema.

Segundo o próprio François Truffaut o cinema moderno nasce e morre em Cidadão Kane. Por que essa empolgação desses ativos pensadores de cinema com o primeiro filme desse jovem e impetuoso cineasta? Afinal, é Cidadão Kane o maior filme de todos os tempos mesmo? O mais revolucionário? Por quê? Só vendo, revendo, ouvindo, sentindo, analisando e refletindo para saber.

Mateus Moura

(APJCC – 2009)

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12/12 (sábado) - “Embriagado de Amor”, de Paul Thomas Anderson

Barry Egan leva uma vida retraída: trabalha, vive só, tem sete irmãs. Um acidente de carro, um piano e a mulher de vermelho invadem seu casulo. Como um inseto que segue uma luz hipnotizante, somos levados por Barry a descobrir as possibilidades que existem além de tudo que conhecemos e precisamos. Uma das mais belas histórias de amor pelo cinema.

Max Andreone

(APJCC – 2009)

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13/12 (domingo) – “Bunny Lake Desapareceu”, de Otto Preminger

Otto Preminger é austríaco e se tornou um dos grandes diretores na poderosa Hollywood. Tinha fama de ser um homem descontrolado no set, chegando a humilhar os atores e esbofetear as atrizes com quem trabalhou. “Laura” e “Anatomia de Um Crime” são seus trabalhos mais citados pela crítica. “Laura” abriu ao diretor um grande caminho nos Estados Unidos, foi sucesso de crítica e público e lhe deu carta branca para que ele criasse uma das grandes e sublimes filmografia da Hollywood clássica. Deixou obras em todos os gêneros cinematográficos. Tinha apreço pelos temas que sublinhavam os desvios morais e conflitos comportamentais. A obra “Bunny Lake Desapareceu”, de 1965, foi apedrejada pela crítica na época de seu lançamento e colocada no forno. O filme narra a história de uma mãe desesperada, em busca de sua filha desaparecida. O filme para muitos é o patinho feio dentro da vasta filmografia do diretor.

“Bunny Lake Desapareceu” é exuberante em toda sua operação. A câmera elegante de Preminger encontra o sentido cinematográfico e domina os espaços. Cada plano na obra mobiliza certa urgência imagética, nos primeiros segundos podemos sentir o cheiro de cada peça da casa, os objetos na parede, a cama, o lençol. A trama psicológica é invadida por uma vitrine sombria, liberada por uma mise-en-scène latente e perturbadora. Sequências belíssimas compõem o jogo de Otto Preminger: a cena da loja das bonecas, o desfecho delirante e pesado. É em cada travelling, em cada plano, e em cada passo emocional dado pelos personagens, que iremos encontrar a força de “Bunny Lake Desapareceu”, elegantemente traçada por um dos grandes filhos de Hollywood.

Aerton Martins

(APJCC – 2009)

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Serviço:

de 10 a 13 de dezembro (quinta a domingo)

às 16h00 (dia 10 excepcionalmente às 15h00)

no Cine Líbero Luxardo: Fundação Tancredo Neves – Centur

Av. Gentil Bittencourt, 650, Térreo (esquina com Rui Barbosa)

Entrada Franca

Realização: Cine Líbero Luxardo e APJCC

Apoio: CCBEU





Belém recebe o Festival Varilux de Cinema Francês

1 12 2009

14 cidades recebem o Festival Varilux de Cinema Francês em dezembro

Programação inclui quatro filmes inéditos e três reapresentações que marcaram o cinema francês nos últimos anos

Para fechar o Ano da França no Brasil em grande estilo, as telonas brasileiras recebem, de 4 a 11 de dezembro, a oitava edição do Festival Varilux de Cinema Francês. O evento recebe o apoio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, assim como do Governo do Estado do Rio de Janeiro através da Lei de Incentivo à Cultura. Pelo sexto ano consecutivo, a Essilor-Varilux é o principal patrocinador do maior Festival de Cinema Francês do Brasil. Nesta edição e pela primeira vez, toda exibição será em formato digital, simultaneamente nas salas de 14 cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Recife, Porto Alegre, Fortaleza, Belo Horizonte, Salvador, Florianópolis, Natal, Goiânia, Belém e Campinas. Consulte a programação no site www.festivalvarilux.com.

A Media Mundi, produtora do evento, e a distribuidora MovieMobz selecionaram quatro filmes inéditos e três sucessos recentes do cinema francês das distribuidoras Imovision, Imagem Dreamland e Filmes do Estação. Entre os que ainda não estrearam no Brasil estão os dramas “Um segredo em família” (Un secret), de Claude Miller, com Cécile de France, Ludivine Sagnier e Patrick Bruel, e “Mais tarde você vai entender…” (Plus tard tu comprendras), do consagrado Amos Gitai, estrelado pela diva Jeanne Moreau.

Com o objetivo de desmistificar a ideia de que o cinema francês é, por definição, reservado a uma pequena elite, duas comédias populares completam a lista de inéditos. “Mais que o Máximo” (Coco), de Gad Elmaleh, foi um grande sucesso de bilheteria na França em 2009, e “A Riviera não é aqui” (Bienvenue chez les Ch´tis), de Dany Boon, o maior público de todos os tempos para um filme nacional na França, com 20,4 milhões de espectadores.

A seleção conta ainda com a exibição de três filmes que representam o melhor do cinema francês nos últimos anos: “Crimes de autor” (Roman de Gare), de Claude Lelouch, “Uma garota dividida em dois” (La fille coupée en deux), de Claude Chabrol, e “Entre os muros da escola” (Entre les murs), de Laurent Cantet, que recebeu a Palma de Ouro em Cannes no passado.

Com o apoio da Embaixada da França, da Unifrance e da Aliança Francesa, o Festival Varilux está sendo divulgado nas 14 cidades escolhidas. A marca Gefco, entra este ano como apoio desta prestigiosa manifestação cultural. TV5Monde, primeiro canal de televisão francês no mundo participa como co-patrocinador pelo sétimo ano consecutivo.

Programação:

Dia 04/12

Mais que o máximo (Coco)
De Gad Elmaleh

França, 2009, 95 min

Distribuidora: Imovision

Aos 40 anos de idade, Coco é um exemplo de sucesso. Há 15 anos, imigrou para a França sem um centavo e agora, graças à invenção de uma água vibrante, tornou-se um rico empresário. Mas sua grande recompensa ainda está por vir: o Bar Mitzvah de seu filho Samuel. Por isso, ele concentra todas as suas energias na organização do que considera o evento nacional do ano. Coco, no entanto, fica tão obsessivo em impressionar todo mundo que se aproxima da loucura. Sem perceber, ele faz sua mulher, sua mãe e mesmo seu querido filho gradualmente se distanciarem.

Dia 05/12

Um segredo em família (Un Secret)
De Claude Miller

França, 2007, 106 min

Distribuidora: Estação

Pouco depois da Segunda Guerra, ao completar 15 anos, o solitário François vai descobrir um obscuro segredo e enfrentar verdades que encobrem as aparências de sua rede familiar. Ele inventa um irmão e imagina o passado de seus pais numa viagem atribulada, que tem como pano de fundo o nazismo e a deportação dos judeus. E, como conflitos, os sentimentos naturais da existência – o desejo, a paixão, o amor e a capacidade de recuperação.

Dia 06/12

A Riviera não é aqui (Bienvenue chez les Ch´tis)
De Dany Boon

França, 2008, 106 min

Distribuidora: Imagem

Philippe Abrams é diretor de uma agência dos correios em Salon-de-Provence no sul da França. Ele é casado com Julie, cuja natureza depressiva torna a vida dele impossível. Para agradá-la, Philippe monta uma fraude para obter uma transferência para a Côte d´Azur (a Riviera Francesa), mas é desmascarado e acaba sendo transferido para Bergues, uma pequena cidade no norte do país. Para os Abrams, sulistas cheios de preconceitos, o Norte é um horror, uma região gelada e povoada por pessoas que falam um dialeto incompreensível, o “cheutimi”. Sem opção, Philippe embarca sozinho e descobre que Bergues não é tão ruim assim.

Dia 07/12

Entre os muros da escola (Entre les murs)
De Laurent Cantet

França, 2007, 128 min

Distribuidora: Imovision

François e os demais amigos professores se preparam para enfrentar mais um novo ano letivo. Tudo seria normal se a escola não estivesse em um bairro cheio de conflitos. Os mestres têm boas intenções e desejo em oferecer uma boa educação aos seus alunos, mas por causa das diferenças culturais – microcosmo da França contemporânea – esses jovens podem acabar com todo o entusiasmo. François quer surpreender os alunos ensinando o sentido da ética, mas eles não parecem dispostos a aceitar os métodos propostos. Palma de Ouro em 2008. Indicado ao Oscar.

Dia 08/12

Uma garota dividida em dois (La fille coupée en deux)
De Claude Chabrol

França / Alemanha, 2007, 115 min

Distribuidora: Imovision

Gabrielle trabalha no canal de televisão a cabo local. Um dia ela conhece o grande escritor Charles Saint-Denis (François Berléand), durante o evento de promoção do novo livro dele. Homem bem-apessoado e reconhecido, ele não encontra dificuldades em seduzir a jovem, apesar de ser casado e trinta anos mais velho. Aos poucos, no entanto, percebe que se apaixonou profundamente e que terá que disputar seu amor com Paul (Benoît Magimel), um jovem milionário e desequilibrado.

Dia 09/12

Crimes de autor (Roman de gare)
De Claude Lelouch

França, 2007, 103 min

Distribuidora: Dreamland

Judith Ralitzer é uma escritora popular, que está em busca de personagens para seu próximo livro. Paralelamente, um serial killer fugiu de um presídio de segurança máxima e Huguette, a cabeleireira de um luxuoso salão de Paris, decide mudar de vida. Os destinos deles se encontrarão, mudando a vida de todos.

Dia 10/12

Mais tarde, você vai entender… (Plus tard tu comprendras) De Amos Gitai

França /Alemanha / Israel, 2008, 90 min

Distribuidora: Estação

Rivka, senhora judia que vive rodeada de objetos do passado, prepara o jantar para seu filho Victor, enquanto acompanha na televisão o julgamento de Klaus Barbie. O ano é 1987, e o ex-líder da Gestapo, conhecido como o “açougueiro de Lyon”, finalmente enfrenta a justiça por seus crimes no Holocausto. Em seu escritório, Victor trabalha organizando os documentos e cartas que contam a história de sua família e também assiste ao julgamento. É quando Rivka reconhece na TV a voz de uma das testemunhas, a voz de um sobrevivente, que despertará emoções profundas entre mãe e filho.

Sobre a Essilor
No ano da França no Brasil, a multinacional francesa Essilor, fabricante exclusiva das lentes Varilux e anti-reflexo Crizal tem um motivo a mais para comemorar: 2009 é o ano em que a empresa comemora os 50 anos da criação das lentes multifocais Varilux, a primeira no mundo, inventada pelo francês Bernard Maitenaz, em 1959.
Para comemorar, a empresa patrocina a apresentação da oitava edição do Festival Varilux de Cinema Francês novamente. Durante o ano, a Essilor marcou presença ainda em outros eventos culturais, tais como: os patrocínios do carnaval 2009 da Acadêmicos do Grande Rio, que abordou a relação França-Brasil e do Panorama do Cinema Francês.

Sobre Media Mundi
Desde 2003, a Media Mundi atua como captadora de recursos para vários eventos culturais, geralmente ligados à França, tais como a turnê do cantor Charles Aznavour no Brasil, a peça de teatro Mademoiselle Chanel com a Marília Pêra e, mais recentemente, para o show Bibi canta e conta Piaf e a exposição dos Ícones do Design França-Brasil.
Há quatro anos a empresa se posiciona também como produtora de eventos como o Circuito Imperial, rally de carros antigos em Teresópolis, a 4ª Regata Richards Veleiros Clássicos em Búzios e agora o 8° Festival Varilux de Cinema Francês.

Sobre a MovieMobz
A MovieMobz é a primeira distribuidora do mercado mundial a operar exclusivamente por meio do lançamento de filmes e conteúdo alternativo no formato digital, tecnologia hoje disponível em mais de 205 salas de cinema e 27 cidades no país, através do Sistema da Rain Digital Cinema. No site www.moviemobz.com, uma rede social que agrega conteúdo digital para fãs de cinema, o usuário pode programar sessões dos filmes a que deseja assistir, mobilizar os amigos para marcá-los nas salas de sua preferência e conhecer pessoas com os mesmos interesses.

SERVIÇO:
Data: de 4 a 11 de novembro
Local: Moviecom arte (Shopping Castanheira) – BR 316
Horário: 22:00
* Os ingressos serão vendidas durante o festival no próprio guichê do Moviecom, com o preço tabelado corrente.

 

Site: http://www.festivalvarilux.com/





João Inácio discute cinema regional e nacional no Inovacine

1 12 2009

Açaí com Jabá
de Alan Rodrigues, Marcos Daibes e Walerio Duarte. Ficção/35mm Cor/13Min. (2000)

Comédia baseada no costume do amazônida de tomar açaí. Um paraense e um turista duelam para ver quem consegue tomar mais açaí acompanhado de jabá.


Estômago
de Marcos Jorge

Na vida há os que devoram e os que são devorados. Raimundo Nonato, nosso protagonista, descobre um caminho à parte: ele cozinha. E é nas cozinhas de um boteco, de um restaurante italiano e de uma prisão – o que ele fez para acabar ali? – que Nonato vive sua intrigante história. E também aprende as regras da sociedade dos que devoram ou são devorados. Regras que ele usa a seu favor, porque mesmo os cozinheiros têm direito a comer sua parte – e eles sabem, mais do que ninguém, qual é a parte melhor.
Uma fábula nada infantil sobre o poder, o sexo e a culinária.

Comentador convidado: João Inácio

SERVIÇO:

Local: Loja Ná Figueiredo (Av. Gentil Bittencourt, 449)
Data: 08/12 (segunda-feira)
Hora: 18:30
Entrada franca.

REALIZAÇÃO: FAPESPA
PARCERIA: APJCC
APOIO: LOJAS NÁ FIGUEIREDO





Noites de Cabíria de Fellini, no Cine CCBEU

1 12 2009

Noites de Cabíria Federico Fellini filmou os sonhos. Os seus e os deste mundo bizarro que chamamos de nosso. Suas imagens trazem a marca do eterno conflito entre realismo e fantasia: enquanto a humanidade luta em um universo miserável, o lirismo desfila nos becos e vielas para o olho sensível. Olho de gente e câmera. “Noites de Cabíria” é um instante de fé na corredeira das desilusões. Giulietta Masina encarna a clown arruinada que vive pisando em dois mundos. O seu e o nosso. E como guerreira-poetisa resiste à crueldade e à frustração destes mundos. Para Cabíria (e para os poetas e apaixonados dentre nós) a vida simplesmente segue. Bela como nos filmes. Miguel Haoni (APJCC – 2009)

Serviço: Dia 03/12 (quinta) às 18:30 h
No Cineteatro do CCBEU (Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA
Realização: CCBEU Parceria: APJCC Apoio: Cineclube Amazonas Douro

Cine CCBEU no orkut:
Comunidade: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=87934260
Perfil: http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=13419179513607839065





O Apocalypse Glauberiano no Cine CCBEU

13 11 2009
Cine CCBEU apresenta:
“A Idade da Terra” de Glauber Rocha
86_311-Anabazys - diretor

A Ydade da Terra é um filme gritado. É o milagre da multiplicação. É a luta de classes no mito da escola de samba; o gringo comendo a mulata com areia, refrigerante e cachorro-quente. É a abertura dos conceitos, abertura política, abertura do diafragma. É a luz dos trópicos fritando o filme no Palácio da Alvorada das Desilusões. É Louis Lumiére baixando do trem para se manifestar na causa operária. É o balé da retina no barroco brasileiro.

A Ydade da Terra é Glauber Rocha roído pelo câncer do capital, encarnando as 4 manifestações do Cristo no Terceiro Mundo. É o colar de dentes careados do Cinema Brasileiro. É a poética da fome na guerrilha do sonho. É Pasolini crucificado em Cinemascope.

A Ydade da Terra é a minha idade. A da montagem desconstrutiva, de Indhyra Gandhi e Ava Gardner, do Profeta e Ogum de Lampião. São as fotografias de Leni Riefenstahl na África. É a tentação de Satanás depois de 15 anos de Ditadura. É Julio César no Teatro Nacional de Brasília. É a Marselhesa assoviada na Bahia de Todos os Cristos.

A Ydade da Terra é o Cinema.

Miguel Haoni (APJCC – 2009)

Serviço:
Dia 19/11 (quinta)
às 18:30 h
No Cineteatro do CCBEU (Padre Eutíquio, 1309)
ENTRADA FRANCA

Realização: CCBEU
Parceria: APJCC
Apoio: Cineclube Amazonas Douro

Cine CCBEU no orkut:

Comunidade

Perfil





Carta aberta aos responsáveis pela projeção digital no Brasil

2 11 2009

A presença da projeção digital nos festivais e mostras de cinema no Brasil, para não dizer no circuito comercial, é algo cada vez maior e, aparentemente, inevitável. Se há, é fato, algumas projeções bastante dignas realizadas nesse formato, é fato também que a enorme maioria dessas projeções costuma atentar contra a integridade da obra exibida, deformando muitas vezes janelas, cores, texturas e sons. Nesta última edição do Festival do Rio, entretanto, a qualidade de tais projeções atingiu um nível intolerável, o que gerou uma enorme repercussão entre críticos, cinéfilos e o público não-especializado que frequentou o evento. A partir desse incômodo, os membro do Fórum da Crítica – entidada que congrega críticos de cinema de todo o país e do qual faz parte a Cinética – redigiu a carta abaixo, como forma de protesto e chamamento à ação e responsabilidade por parte daqueles envolvidos na projeção digital no país.

Se estiverem de acordo com o exposto na carta abaixo, convidamos nossos leitores a se juntarem a nós no abaixo assinado criado para tal, além de exigirem seus direitos junto aos distribuidores e exibidores sempre que se sentirem lesados por tais projeções.

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A projeção digital chegou ao Brasil com a missão de democratizar o acesso aos filmes e libertar os distribuidores da dependência de cópias em 35 milímetros, cuja confecção e transporte são notoriamente caros. A instalação de projetores digitais permitiria ao público assistir a títulos que dificilmente seriam lançados nas condições tradicionais e ainda ofereceria condições para que espectadores situados longe do eixo Rio-São Paulo (onde se concentram quase 50% das salas de cinema do país) tivessem acesso aos mesmos títulos simultaneamente.

O que estamos vendo, no entanto, é uma total falta de respeito ao espectador no que se refere à exibição do filme propriamente dita. As razões são basicamente duas: projeções incapazes de reproduzir fielmente os padrões de cor e textura da obra e/ou projeções incapazes de exibir os filmes no formato em que foram originalmente concebidos. Sem falar no som, que muitas vezes ganha uma reprodução abafada, limitada ao canal central, muito diferente de seu desenho original.

A adoção da projeção digital pelos dois maiores festivais internacionais do Brasil (o Festival do Rio e a Mostra de São Paulo) e por outros festivais do país, infelizmente, não respeitou o que seriam critérios mínimos de qualidade de projeção de filmes em cinema – algo que é observado com atenção em qualquer festival internacional que se preze. Trata-se de uma situação particularmente alarmante tendo em vista o papel de formadores de plateia que esses eventos desempenham.

Sucessivamente, temos visto um autêntico massacre ao trabalho de cineastas, fotógrafos, diretores de arte, figurinistas, técnicos de som e até mesmo de atores. Apenas para citar um exemplo: Les Herbes Folles, o novo filme de Alain Resnais, originalmente concebido no formato 2:35:1, foi exibido no Festival do Rio, com projeção digital, no formato 1:78. Isso representou o corte da imagem em suas extremidades, resultando em enquadramentos arruinados, movimentos de câmera deformados e rostos dos atores cortados. Um pouco como se “A Santa Ceia”, de Leonardo Da Vinci, tivesse suas pontas decepadas, deixando alguns discípulos de Jesus fora de campo – e da história. Para completar o desrespeito, não há qualquer aviso em relação às condições de exibição e o preço cobrado pelo ingresso não sofre qualquer alteração.

Não nos cabe, aqui, pregar a “volta ao 35mm” nem defender determinada resolução mínima para a projeção digital. Sabemos que, se respeitados determinados critérios técnicos – ou seja, se a empresa responsável pela projeção digital receber do distribuidor o master no formato adequado, se o processo de encodamento for feito corretamente, e se os ajustes necessários para a exibição de cada filme forem realizados cuidadosamente –, a projeção digital pode ser uma experiência perfeitamente satisfatória para o espectador.

Não é isso, porém, que tem ocorrido. Exibidores, distribuidores e os fornecedores do serviço da projeção digital são responsáveis pela má qualidade da projeção e coniventes com esse lamentável descaso geral, que tem deixado críticos e amantes de cinema indignados. É um desrespeito ao cinema e aos seus criadores, mas, sobretudo, ao espectador e consumidor final, que saiu de casa e pagou ingresso para ver um filme.

A situação chegou a um ponto intolerável. Pedimos a todos os profissionais envolvidos com a projeção digital que tomem providências para que tais deformações não se repitam.

Fonte:

http://www.revistacinetica.com.br/projecaodigital.htm